Podia ser mais uma quarta-feira qualquer. Podia, mas não é. Hoje, a quarta tem gosto de terça à noite. Quando, sem querer, a gente se esbarrou na rua. Eu te abracei, como quem não quer nada, meu coração ouviu o teu e convenceu meus braços a não te largar mais. “E agora? Que que a gente faz?” Pensou a cabeça, que sempre tem mania de pensar. “Fica aqui”, insistiu o coração e fez todo o corpo ficar.
Podia ser mais uma quarta-feira qualquer. Podia, mas não é. Hoje, a quarta tem gosto de quinta com almoço na padaria. Com papo bom, histórias e boa companhia. Com sorriso leve, olhar calmo e voz doce. Com mãos macias que acariciam as minhas enquanto você olha nos meus olhos e fala sem dizer nada. Com um jeito do jeito que você é e que me deixa ser do jeito que eu sou.
Podia ser mais uma quarta-feira qualquer. Podia, mas não é. Hoje, a quarta tem gosto de sábado no sofá, vendo filme com pipoca de panela que é mais gostosa. Da madrugada na companhia de pessoas queridas que conversam besteiras e sorriem entre vodkas, cervejas e doritos sem fim.
Podia ser mais uma quarta-feira qualquer. Podia, mas não é. Hoje, a quarta tem gosto de domingo frio, de chuva, quando a gente não tem pressa de sair da cama. Dorme, acorda, dorme, acorda e a manhã vira tarde que quase vira noite. Quem sem importa? Gostoso ficar na cama preguiçando. Melhor ainda quando preguiço com você.
Podia ser mais uma quarta-feira qualquer. Podia, mas não é. Hoje, a quarta tem um gosto diferente. Especialmente diferente. Hoje a quarta-feira é minha. Mas só porque é sua também.
Estava eu passeando pelo Pinterest, como de costume, quando Leo Pope me envia uma mensagem: “Olha a câmera que eu comprei!”. Quando recebi a primeira foto, confesso que foi difícil entender, de primeira, como ela funcionava. Estamos tão acostumados a complicar, que a simplicidade às vezes confunde, né?
A câmera pinhole, criada pelo designer e carpinteiro Elvis Halilovic, é toda handmade. Quem adora descobrir e colecionar câmeras diferentes, fica logo com vontade de ter uma dessas! Feita em madeira, suas partes são unidas por imãs. Para capturar a imagem, simples: é só deixar a luz entrar. E pra quem pensa que a ideia é limitada, basta passear pelo site da ONDU (a marca de Elvis) para se surpreender: são seis tipos diferentes em tamanho e formato de filme!
Conversa comigo. Conta as tuas histórias. Fala o que você fez no último fim de semana. Se ficou por aqui. Se fez piquenique na grama. Diz qual o livro da tua cabeceira. O que faz companhia aos da prateleira. O que você fala pra você mesma quando acorda e se olha no espelho. Com a cara amassada e aquele cabelo. Pode falar. Tô ouvindo. Tô abrindo um vinho pra aquecer o friozinho que ta fazendo e pra conversa ficar mais gostosa.
Fala dos teus sonhos, teus desejos. Se você queria ser uma bailarina quando era pequena. Ou uma princesa. Acho que você daria uma linda princesa. Se princesas gostassem de video game. Fala se você sonha em casar. Ter filhos. Quantos? Eu acho que três é um número bom. Porque um é pouco, dois é bom, três desempata.
Fala das tuas viagens. Que lugares teus olhos já viram. Quais eles mais curtiram e quais eles ainda querem ver. Onde tu deixou mais sorrisos. Onde tu quis viver. Prasempre.
Fala do teu dia. Do caminho pro trabalho. Da música que tocava enquanto tu dirigia, se maquiava e curtia aquela foto que eu tirei de você, olhando pro mar e respirando fundo, com os olhos fechados, sentindo o cheirinho da maresia. Parecia que fazia um pedido. Fazia?
Fala qual a tua música preferida. O filme que você mais gosta. Conta uma piada. Uma história. Canta. Fala sobre o passado, o presente, o futuro. Sobre bobagens. Sobre o que quiser. Certeza que vou ouvir algumas coisas pela segunda ou terceira vez. Tudo bem. Se faltar uma novidade, não vai faltar a vontade: de ficar perto e ouvir a tua voz.
Foi numa ensolarada manhã de Sábado, com aquele climinha gostoso de outono, que clicamos o segundo editorial da edição Memória.
A gente já tinha um plano de fotografar com todo o acervo da Tati, que inclui peças lindíssimas, garimpadas por ela em vários brechós, ao longo de alguns anos de dedicação, paixão e procura. Desta vez, em função do tema, finalmente encontramos um motivo para produzir.
Tivemos menos de uma semana para encontrar modelos e decidir a locação (em função de uma viagem da Tati para os Estados Unidos no dia seguinte às fotos). Mas a vontade de criar sempre faz com que tudo dê certo. Fotografamos no Cosme Velho, na casa da Manu Gouvêa (nossa mais nova integrante na equipe de arte e design) e depois migramos para o Largo do Boticário, ali do lado, para os cliques finais. O clima bucólico e lagártico do local acompanhou o shooting do começo ao fim e transparece nas imagens.
Nossas duas modelos (Déborah Reis, da Agency, e Alana Rozentino, da 40 graus) incorporaram perfeitamente aquela menina que fuça o armário da avó em busca de um novo-velho para repaginar. E os cabelos? Um espetáculo à parte.